No ápice do Septenário das Dores, a noite desta quinta-feira, 26 de março, conduziu a comunidade católica a uma das meditações mais densas do calendário litúrgico. Às 19h, a Igreja Matriz de São Sebastião tornou-se o cenário para a 5ª Dor de Nossa Senhora: Maria ao Pé da Cruz de Jesus, o momento em que a firmeza da fé triunfa sobre a agonia do sacrifício.
A Teologia da Presença e o Silêncio Redentor
A celebração foi presidida pelo pároco, Padre Lucas Espedito Machado, que em sua homilia explorou a dimensão da Mãe que permanece de pé. A reflexão evocou a imagem de Maria como a sentinela da esperança, que não sucumbe ao desespero diante do sofrimento do Filho, mas oferece sua presença como o consolo supremo.
Para os fiéis de Serra do Salitre, a mensagem do Padre Lucas ressoou como um imperativo ético, a missão cristã de sustentar o próximo nos momentos de vulnerabilidade, transformando o “olhar de dor” em um “olhar de cuidado” e proteção.
Do Altar ao Cuidado Social Procissão rumo à APAE do município.
O desdobramento da liturgia ganhou as ruas em uma procissão marcada pelas orações e cânticos. O destino da procissão foi a sede da APAE (Associação de Pais dos Excepcionais) de Serra do Salitre, instituição que é referência no amparo às pessoas com deficiência no município.
A chegada da imagem de Nossa Senhora das Dores à APAE reveste-se de um simbolismo humanitário profundo. Ao entronizar a padroeira das aflições em uma casa de acolhimento e superação, a paróquia reafirma que a fé deve se traduzir em gestos concretos de inclusão e amor ao próximo. O ato simboliza a intercessão de Maria por todos os alunos, familiares e profissionais que, diariamente, transformam limitações em conquistas, sob o manto da resiliência e da dignidade humana.

