A comunidade católica serralitrense vivenciou, entre esta sexta-feira e sábado, os capítulos finais do itinerário espiritual da Semana das Dores. As celebrações, marcadas por profundo simbolismo e intercessão social, conduziram os fiéis por um caminho de reflexão sobre o sacrifício e a caridade.
6ª DOR: O COLO MATERNO NA CASA DE ACOLHIDA PROVISÓRIA (27/03)
Na noite de ontem, sexta-feira, a Igreja Nossa Senhora Aparecida foi o cenário para a meditação da 6ª Dor de Nossa Senhora, sob o tema “Maria recebe Jesus descido da Cruz”. A liturgia explorou a imagem da Pietà — o instante em que a Virgem acolhe em seus braços o corpo inanimado de seu Filho.
Após a solenidade, a imagem foi transladada em procissão até a Casa de Acolhida Provisória. O gesto de conduzir a padroeira ao local de refúgio simboliza a mística do acolhimento: assim como Maria amparou o Cristo, a sociedade é conclamada a acolher com dignidade e zelo aqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade em nosso município.
7ª DOR: O SILÊNCIO DO SEPULCRO E O AMPARO AO IDOSO (28/03)
Dando encerramento ao Septenário, a noite de hoje, sábado, reservou um dos momentos mais reflexivos para os devotos. A celebração da 7ª Dor de Nossa Senhora ocorreu na Igreja São Cristóvão, tendo como tema central “Maria deposita Jesus no Sepulcro”.
Esta última meditação foca no desfecho da Paixão: o sepultamento de Jesus e a solidão de Maria, que, mesmo diante da pedra que fecha o túmulo, guarda no coração a certeza da promessa divina. É o ápice da paciência e da entrega absoluta aos desígnios de Deus.
O Rito do Respeito: Procissão rumo à Casa de Acolhimento ao Idoso
Ao final da celebração na Igreja São Cristóvão, a imagem de Nossa Senhora das Dores seguiu em procissão orante com destino à Casa de Acolhimento ao Idoso. O depósito da imagem nesta instituição reveste-se de um significado humanitário profundo.
Ao entronizar a Senhora das Dores no lar daqueles que carregam a sabedoria e as marcas do tempo, a comunidade manifesta seu respeito e gratidão aos idosos. O ato simboliza a busca por amparo espiritual para os residentes e profissionais, lembrando que a Igreja deve ser, à semelhança de Maria, a presença que consola e protege a vida em todas as suas fases, especialmente naquelas que exigem mais cuidado e serenidade.
O porque da imagem “depósito”?
Na linguagem antiga e jurídica, um “depósito” é algo valioso que você entrega a alguém de extrema confiança para que seja guardado e protegido.
Simbolicamente, é como se a Santa ficasse ali “hospedada”, sob a guarda daqueles profissionais, para abençoar o local.
Ao dizer que a imagem foi depositada no Quartel, na Prefeitura ou na APAE, você está dizendo que a comunidade está confiando o seu “tesouro” (a imagem da Padroeira) àquela instituição.

