ALERTA NO AGRONEGÓCIO, CIENTISTAS DA UNESP IDENTIFICAM NOVA ESPÉCIE DE CIGARRINHA

Foto: Mahanarva spectabili. Foto:Rodrigo Souza Santos e Samara Araújo da Silva/Creative Commons Licence (CC-By)

Descoberta de Mahanarva diakantha, confundida com outras pragas, exige revisão urgente nas estratégias de manejo integrado de pragas (MIP) nos canaviais brasileiros.


São Paulo, [Data da Publicação] – Uma importante descoberta científica acende um novo sinal de alerta para a agroindústria sucroenergética brasileira. Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) identificaram e descreveram formalmente uma nova espécie de cigarrinha-da-raiz que vinha sendo confundida com outras pragas já conhecidas: a Mahanarva diakantha.

A revelação é crucial para o setor, que já enfrenta perdas significativas causadas por cigarrinhas como a Mahanarva fimbriolata e Mahanarva diakantha que podem reduzir a produtividade dos canaviais em até 60% e impactar a qualidade industrial da matéria-prima.

🔍 O Que Muda com a Nova Identificação?

A espécie recém-descrita, M. diakantha, já estava presente nas lavouras do Sudeste e Sul do Brasil desde a década de 1960, mas sua semelhança morfológica com outras cigarrinhas tornava a diferenciação a olho nu praticamente impossível.

Segundo os pesquisadores, a identificação precisa só foi possível por meio de análises genéticas e morfológicas detalhadas, focadas inclusive na genitália dos machos, que inspirou o nome “diakantha” (dois espinhos).

Atenção Produtor: A confusão entre espécies é um problema grave, pois a eficácia de defensivos e o sucesso de estratégias de controle biológico e cultural dependem do conhecimento exato da praga-alvo.

💡 Implicações para o Manejo de Pragas na Cana

A identificação de M. diakantha como uma espécie distinta é o primeiro passo para o desenvolvimento de soluções mais eficazes e sustentáveis. O manejo da cigarrinha-da-raiz já é um desafio complexo no Brasil, especialmente com o aumento da colheita mecanizada de cana crua, que, ao deixar a palhada no campo, cria um microclima úmido e favorável ao desenvolvimento dessas pragas.

As estratégias de combate à cigarrinha incluem:

  • Controle Biológico: O uso de fungos entomopatogênicos, como o $Metarhizium$ $anisopliae$, é uma prática crescente e bem-sucedida, especialmente no controle das ninfas. Para mais detalhes, confira este artigo sobre o papel do controle biológico na cana-de-açúcar.
  • Controle Cultural: Práticas como o monitoramento constante, a destruição estratégica da palhada em áreas críticas e o investimento em nutrição da cultura são essenciais.
  • Controle Químico: A aplicação de inseticidas deve seguir o Manejo Integrado de Pragas (MIP), com rotação de mecanismos de ação para evitar a resistência da praga, que é um risco real com o uso intensivo dos mesmos produtos.

A descoberta da Unesp deve impulsionar o refinamento do MIP e a busca por variedades de cana geneticamente mais resistentes, adaptando-se à realidade de que há um complexo de espécies de $Mahanarva atuando simultaneamente nos canaviais.


Fonte Original da Informação

A íntegra da notícia sobre a identificação da nova espécie de cigarrinha pode ser acessada no link abaixo: