O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado anualmente em 20 de novembro, transcende a simples marcação no calendário. Em cidades como Serra do Salitre, essa data se torna um poderoso lembrete da influência e da luta da população negra, essenciais na construção do município e do Brasil.
O 20 de novembro foi escolhido em homenagem à morte de Zumbi dos Palmares, o último líder do Quilombo dos Palmares e um dos maiores símbolos de resistência à escravidão.
Instituição da Data e Feriado Nacional
A celebração da Consciência Negra foi concebida por ativistas do Movimento Negro no início dos anos 70, mais precisamente pelo Grupo Palmares, em Porto Alegre, em 1971.
A data foi oficialmente instituída no calendário nacional pela Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, como o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
Recentemente, o dia 20 de novembro foi elevado à condição de feriado nacional. A Lei nº 14.759/2023, sancionada em dezembro de 2023, transformou a data em feriado em todo o território brasileiro, reforçando a importância do debate e da celebração da cultura e da história afro-brasileira.
Serra do Salitre: Uma História a Ser Reconhecida
Em Serra do Salitre, a celebração do Dia da Consciência Negra oferece uma oportunidade crucial para olhar para a própria história da cidade e reconhecer as raízes afro-brasileiras que moldaram sua identidade.
Assim como em Minas Gerais e no país, a presença negra em Serra do Salitre está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento local, muitas vezes de forma não reconhecida, desde os tempos coloniais e da mineração até a formação das comunidades rurais e urbanas atuais. Celebrar a data é um convite para o município valorizar ativamente os patrimônios material e imaterial trazidos pela cultura africana e afro-brasileira.
A Voz da Reparação: Apollo Gustavo Silva Cardoso
Para o Arquiteto e Documentarista Apollo Gustavo Silva Cardoso, o feriado do Dia da Consciência Negra é um momento de profunda reflexão e ação. Ele enfatiza a urgência da memória e da justiça.
Em um depoimento contundente, Apollo Gustavo Silva Cardoso afirma:

“Celebrar hoje, o feriado nacional do dia da Consciência Negra é, para mim, uma síntese de tudo aquilo que move os meus trabalhos: a urgência de resgatar memórias apagadas, de honrar trajetórias silenciadas e de reconhecer a presença negra como fundamento da nossa história. Quando estudo, registro e conto as histórias de construtores, comunidades e famílias negras, percebo como ainda estamos reparando séculos de invisibilização – desde os tempos da escravidão, quando mãos negras ergueram cidades inteiras sem nunca terem seus nomes lembrados, até os dias de hoje, quando essas contribuições seguem pouco reconhecidas. Tornar essa data visível é abrir espaço para que essas histórias finalmente apareçam. É afirmar que nossos antepassados não foram apenas força de trabalho, mas força de vida, criação, resistência e saber. É por isso que insisto na importância dessa celebração: porque sem memória não existe identidade, e sem identidade não existe justiça.”
A visão do documentarista ressalta que o feriado é mais do que uma pausa no trabalho; é um marco de reparação histórica. É um dia para a sociedade, incluindo a população de Serra do Salitre, confrontar o passado de silenciamento e reconhecer que a negritude é a força fundadora de nossa identidade e desenvolvimento.
🔍 O Impacto e o Futuro da Data
O feriado nacional de 20 de novembro reforça o compromisso do Brasil com o combate ao racismo e a promoção da igualdade racial. Em Serra do Salitre e em todo o país, a data serve para impulsionar políticas públicas, iniciativas culturais e educacionais que busquem a valorização da herança africana e a superação das desigualdades estruturais que persistem.
A Consciência Negra é, portanto, um convite permanente à reflexão sobre quem somos e sobre o futuro justo e equitativo que desejamos construir.
